A Fisiologia da Decisão
Enviado em 9 de Setembro de 2009
Publicado por Ivo Mortani Jr. | Enviar por e-mail
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Em 50 segundos o coração bombeia sangue suficiente, percorrendo todo o corpo, e transporta oxigênio e nutrientes para sustentar uma vida. E durante estes 50 segundos uma pessoa pode mudar radicalmente, bastam apenas 10 segundos desse tempo, basta apenas uma decisão.
São 10 segundos que implicam no risco, na novidade e na possibilidade do fracasso. Nos 40 segundos restantes fica por conta do coração transformar esse momento de decisão, esse desequilíbrio momentâneo em mais uma etapa de adaptação ao novo e no retorno ao equilíbrio. Pelo menos do ponto de vista biológico!
No momento de decisão cada pessoa costuma avaliar os possíveis resultados de cada alternativa levada em consideração, e o impacto desses resultados em sua vida. Mas algumas decisões acabam sendo tomadas em questões de segundo e sem nenhum planejamento. Podem ser escolhas como um relacionamento para vida, uma nova profissão ou um novo empreendimento. Que mecanismos funcionam quando escolhemos nos arriscar? Pode ser a Intuição?
Em entrevista para o Jornal da Ciência, Gerd Gigerenzer, diretor do Instituto Max Planck para o Desenvolvimento Humano em Berlim e autor do livro ‘O Poder da Intuição’, explica o que é o sentido da intuição:
“Um tipo de julgamento que é rápido, que chega rapidamente à consciência de uma pessoa. A pessoa, no caso, não sabe por que tem essa sensação. Mas é algo forte o bastante para gerar uma ação individual. Certamente essa reação instintiva não é calculada. A pessoa não sabe inteiramente de onde aquilo vem. Minha pesquisa indica que a reações instintivas são fundamentadas em simples princípios básicos, que nós psicólogos chamamos de “heurística”. São princípios que funcionam à base de certas capacidades cerebrais que chegaram até nós através do tempo, da experiência humana e da evolução.”
No livro ‘O Poder da Intuição’, Gigerenzer, explica o que é a intuição e como a usamos para tomar, instintivamente, as melhores decisões.
Considerando as idéias de Gigerenzer, misturando o funcionamento do organismo, em conjunto com os princípios básicos das reações instintivas, e seus efeitos provocados nas decisões, pensei na existência de uma “Fisiologia da decisão”.
Seguindo essa “Fisiologia da decisão”, os processos corporais e instintivos seriam juntos os elementos mais importantes quando nos arriscamos, possibilitando o suporte necessário para adversidades (experiência) e permitindo um retorno ao estado inicial de equilíbrio. Claro que não seria o mesmo que o equilíbrio biológico, mas um equilíbrio ainda assim. Estou afirmando que podemos enquadrar esse “retorno” ou “resultado” de uma decisão como um tipo de equilíbrio, pois algumas decisões que parecem estranhas e erradas no presente acabam por ser as mais acertadas no futuro.
Exemplos pessoais de decisões com base na intuição nas áreas de negócios e relacionamentos não faltam para confirmar essa idéia. Na verdade, essa poderia ser uma maneira de renomear e dar um novo significado as experiências do passado.
Gigerenzer também fala que os instintos muitas vezes são sugeridos apenas por pistas encontradas num meio ambiente. Na maioria das situações, quando as pessoas usam seus instintos elas estão atentas a essas pistas e ignorando outras informações desnecessárias.
Esse é outro aspecto que pode se alinhar a idéia de uma “Fisiologia da decisão”, porque demonstra que não damos atenção devida aos sinais que nosso próprio corpo apresenta. No momento em que dependemos totalmente das funções mais básicas, ter um organismo funcionado em harmonia pode nos levar a tomar melhores decisões. O estresse, doenças, o dia-a-dia no trabalho acabam interferindo e muito em nossa habilidade de prestar atenção aos sinais do nosso corpo.
Que conclusões podem-se tirar dessas idéias? Que precisamos seguir as dicas mais básicas e essenciais para qualidade de vida, tentar limpar toda essa bagunça mental, e cuidar mais da saúde para que o foco esteja voltado aos instintos e ao funcionamento harmonioso do corpo. Dessa forma, vai ser mais fácil tomar as decisões mais certas para você!

Gostei do post. Concordo que quanto mais nos preocupamos com a consequência de uma tomada de decisão, mais ansiedade isso nos causa. Acho que os batimentos cardíacos são um bom termômetro mesmo.
Abraços.